A recuperação dos danos provocados pela tempestade Kristin, os atrasos nos apoios, a degradação das comunicações, a situação da Escola João Beare e o acesso aos cuidados de saúde dominaram a reunião de 29 de junho.

A recuperação da Marinha Grande após a passagem da tempestade Kristin voltou a dominar o debate político na Assembleia Municipal de 29 de junho. Deputados municipais confrontaram o executivo com os atrasos na atribuição de apoios à reconstrução, enquanto foram também discutidos os problemas nas comunicações, a situação da Escola João Beare e as preocupações dos utentes da saúde.

 

Recuperação continua a gerar críticas

Um dos momentos centrais da sessão incidiu sobre o processo de recuperação dos danos provocados pela tempestade Kristin.

A deputada Vanessa Rocha (+MPM) apresentou dados comparativos que apontam para um ritmo de pagamentos inferior ao de outros concelhos da região. Segundo os números apresentados, Leiria terá processado mais de 4.200 pagamentos relativos a cerca de 10.800 candidaturas, enquanto na Marinha Grande, com 3.365 candidaturas submetidas, tinham sido efetuados 301 pagamentos.

Perante estas críticas, o presidente da Câmara, Paulo Vicente, explicou que o município optou por uma verificação detalhada dos processos para evitar erros e duplicações. Segundo o autarca, a plataforma utilizada permitia candidaturas incompletas ou repetidas, obrigando os serviços municipais a contactar individualmente muitos requerentes.

Já Alexandra de Angusto (CDU) defendeu que a principal dificuldade resulta da insuficiência dos apoios disponibilizados pelo Governo, considerando que os recursos atribuídos estão muito aquém dos prejuízos registados.

 

Executivo rejeita alegações sobre apoios sociais

Durante a reunião voltou também a ser abordada a situação da comunidade residente na zona de Garcia, cujas habitações precárias foram destruídas pela tempestade.

O executivo municipal esclareceu que o alojamento em contentores constituiu uma resposta de emergência para dezenas de pessoas que ficaram sem habitação.

Paulo Vicente rejeitou ainda rumores divulgados nas redes sociais relativos à atribuição de scooters elétricas ou apoios financeiros específicos, classificando essas informações como falsas.

Na mesma linha, Fátima Filipe (PS) apelou a que o debate político decorra com base em factos e alertou para os riscos da divulgação de informações sem confirmação.

 

Comunicações continuam degradadas meses depois

Outra das matérias discutidas foi a degradação das comunicações móveis e fixas em várias zonas do concelho.

Uma moção apresentada pelo PS refere que diversos postes continuam danificados vários meses após a tempestade, situação que terá provocado uma redução da qualidade do serviço móvel, incluindo a passagem de cobertura 5G para 4G em algumas áreas.

O documento defende uma intervenção das operadoras e da ANACOM, bem como investimentos em infraestruturas mais resilientes.

 

Comissão de Utentes alerta para falta de resposta na saúde

Luís Guerra Marques, em representação da Comissão de Utentes da Saúde, voltou a alertar para a perda do Serviço de Atendimento Permanente durante os dias úteis.

Na intervenção, defendeu que uma cidade com forte atividade industrial necessita de uma resposta de proximidade durante as 24 horas do dia, apelando à mobilização da população para exigir melhorias nos cuidados de saúde.

 

Associação de Pais denuncia problemas na Escola João Beare

A situação da Escola João Beare foi igualmente alvo de preocupação.

Ricardo Pereira, em representação da Associação de Pais, descreveu problemas estruturais no edifício, incluindo pavimentos degradados, infiltrações e zonas consideradas inseguras para alunos e professores.

Segundo referiu, existem dúvidas quanto ao calendário das obras e ao respetivo financiamento, enquanto continuam a ser adotadas soluções provisórias para garantir o funcionamento da escola.

 

Debate político marcou parte final da reunião

A parte final da Assembleia ficou marcada pela troca de críticas entre maioria e oposição relativamente à gestão financeira do município e à execução de projetos herdados de anteriores executivos.

Enquanto a oposição reivindicou o trabalho desenvolvido nos últimos mandatos, o executivo socialista respondeu apontando dificuldades encontradas na execução de vários processos.

Apesar das divergências políticas, a sessão evidenciou que a recuperação da tempestade Kristin continua a ser um dos principais desafios do concelho, tanto ao nível da reconstrução como da resposta aos cidadãos afetados.