Evento climático deverá intensificar-se até 2027, com impactos indiretos em Portugal
O fenómeno climático El Niño foi oficialmente confirmado em junho de 2026 por entidades internacionais, com elevada probabilidade de se intensificar até ao inverno 2026-2027 e atingir níveis fortes ou muito fortes.
El Niño já está em curso e deve ganhar força
A NOAA confirmou a 11 de junho a presença de condições de El Niño, através de um “El Niño Advisory”, indicando que o fenómeno deverá intensificar-se nos próximos meses.
Segundo o IPMA, existe cerca de 82% de probabilidade de formação já no verão de 2026 e mais de 90% de persistência até ao final do ano.
A Organização Meteorológica Mundial aponta para uma probabilidade entre 80% e 90%, reforçando o consenso internacional.
O que é o El Niño e porque é relevante
O El Niño corresponde ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, alterando padrões atmosféricos à escala global.
Este fenómeno influencia:
- circulação atmosférica
- regimes de precipitação
- temperaturas globais
Os dados atuais indicam que o índice ONI já se encontra em valores positivos, sinalizando o início da fase ativa do fenómeno.

Previsões apontam para evento forte ou muito forte
Os principais centros climáticos internacionais convergem num cenário de elevada intensidade:
- Probabilidade superior a 95% de El Niño até 2027
- Cerca de 60% a 70% de hipótese de evento muito forte
- Possibilidade de atingir valores próximos dos maiores registos históricos
Apesar do consenso, permanece alguma incerteza quanto à intensidade exata, devido à variabilidade dos modelos climáticos.
Impacto em Portugal será indireto, mas relevante
Em Portugal, os efeitos do El Niño tendem a ser menos diretos, mas podem influenciar o clima através de padrões atmosféricos europeus.
Segundo o IPMA, a ligação é fraca e não determinística, dependendo sobretudo da Oscilação do Atlântico Norte (NAO).
Ainda assim, são esperadas algumas tendências:
Temperaturas
- Possível aumento acima da média
- Maior frequência de ondas de calor
Precipitação
- Elevada incerteza
- Risco de períodos de seca, sobretudo no verão
Incêndios e seca
- Condições mais propícias a incêndios rurais
- Pressão sobre recursos hídricos
Setores mais expostos
O relatório identifica áreas particularmente vulneráveis:
- Agricultura: perdas de produtividade devido ao calor e falta de água
- Recursos hídricos: maior risco de escassez
- Energia: aumento do consumo no verão
- Saúde pública: impacto das ondas de calor
- Florestas: maior risco de incêndios
Monitorização será determinante
Especialistas recomendam acompanhamento contínuo de entidades como:
- NOAA
- IPMA
- Organização Meteorológica Mundial
A evolução do fenómeno nas próximas semanas será decisiva para ajustar previsões e medidas de mitigação.
Acompanhe amanhã a Análise & Contexto completo.