Oposição questionou atrasos administrativos, futuro das Piscinas de São Pedro e segurança rodoviária. Executivo defendeu opções tomadas após a tempestade Kristin e respondeu às críticas.
A reunião da Câmara Municipal da Marinha Grande desta segunda-feira ficou marcada por um período antes da ordem do dia particularmente político, com críticas do Mais MPM à gestão do executivo PS, pedidos de esclarecimento sobre obras, urbanismo e segurança rodoviária, enquanto CDU, Chega e PS apresentaram prioridades distintas para o concelho.
Pedro André (Mais MPM): "Há um regresso ao passado"
Na sua primeira intervenção como vereador substituto do Mais MPM, Pedro André iniciou o debate com um tom crítico em relação ao funcionamento do executivo socialista.
O vereador acusou o executivo de repetir práticas administrativas que considerou ultrapassadas, criticando o atraso na apresentação das contas municipais e o envio de documentação no próprio dia das reuniões.
Entre as principais questões levantadas estiveram:
- garantia de que o presidente cumprirá o mandato até ao fim;
- estabilidade do entendimento político entre PS e CDU;
- retirada das lombas junto às escolas da Albergaria e das Trutas;
- futuro das Piscinas de São Pedro.
Sobre este último tema, Pedro André pediu que o executivo esclarecesse qual a alternativa ao projeto atualmente em apreciação, recordando que o espaço é privado e que existe um processo urbanístico em curso.
João Brito (Mais MPM): mais comunicação e equipamentos municipais inativos
Também pelo Mais MPM, João Brito fez uma intervenção menos política e mais centrada na gestão municipal.
Destacou positivamente o evento realizado no Quarteirão da Fábrica, considerando-o uma boa iniciativa para dinamizar o centro tradicional, mas defendeu uma comunicação mais eficaz e horários mais adequados para aumentar a participação do público.
Questionou ainda o executivo sobre o facto de vários outdoors digitais municipais continuarem desligados há vários meses.
Sérgio Silva (CDU): Governo deve apoiar recuperação dos museus
O vereador da CDU centrou a intervenção na recuperação do património cultural destruído pela tempestade Kristin.
Referindo declarações recentes da ministra da Cultura e do ministro da Educação, defendeu que:
- a Marinha Grande necessita de apoio extraordinário para recuperar os museus;
- sem obras de recuperação será impossível integrar os equipamentos na Rede Portuguesa de Museus;
- o Governo deve assumir solidariedade financeira com os municípios afetados pela tempestade.
Sérgio Silva respondeu ainda a Pedro André, rejeitando a ideia de existir uma coligação formal entre PS e CDU, afirmando tratar-se apenas de um entendimento político.
Emanuel Videirinho (Chega - Independente): apoio extraordinário aos bombeiros
A intervenção do vereador independente pelo Chega foi breve mas direta.
Emanuel Videirinho voltou a defender um apoio financeiro extraordinário às duas corporações de bombeiros do concelho, considerando os prejuízos provocados pela tempestade Kristin.
O presidente respondeu que essa possibilidade não está excluída, mas dependerá da apresentação formal das necessidades por parte das associações humanitárias.
Armando Constâncio (PS): expansão industrial é prioridade
Pelo PS, Armando Constâncio destacou uma recente reunião do Conselho Estratégico Consultivo com o Ministro da Economia.
Segundo explicou, o encontro permitiu obter garantias de alinhamento do Governo relativamente à criação de novas áreas industriais para atrair investimento para a Marinha Grande.
Considerou tratar-se de um passo importante para o desenvolvimento económico do concelho.
Carla Santana (PS): defesa jurídica do executivo no processo do crematório
Embora tenha intervindo já durante a discussão da ordem de trabalhos, Carla Santana assumiu um dos momentos politicamente mais relevantes da reunião.
A vereadora apresentou uma longa declaração de voto explicando que o executivo continua politicamente contra a localização prevista para o centro funerário e unidade de tratamento de resíduos.
Contudo, justificou o reconhecimento do deferimento tácito por considerar que:
- os direitos administrativos do promotor já se encontravam consolidados;
- manter a deliberação anterior poderia expor o município a indemnizações e responsabilidade financeira;
- a Câmara tinha de cumprir o enquadramento jurídico existente, apesar da discordância política quanto ao local escolhido.
Presidente responde às críticas
Ao longo da reunião, o presidente da Câmara respondeu às críticas da oposição.
Entre as respostas destacou:
- os atrasos administrativos deveram-se ao esforço dos serviços municipais após a tempestade Kristin;
- as lombas retiradas serão substituídas por passadeiras elevadas;
- os outdoors municipais encontram-se em processo de reparação;
- sobre as Piscinas de São Pedro, recusou antecipar qualquer decisão antes da apreciação formal do processo.
Divergências políticas evidentes
O debate evidenciou diferentes prioridades entre as forças políticas representadas na Câmara:
| Partido | Principais posições |
|---|---|
| Mais MPM | Críticas à gestão do executivo, atrasos administrativos, segurança rodoviária, Piscinas de São Pedro, igualdade de tratamento nos processos urbanísticos. |
| PS | Defesa da atuação após a tempestade, aposta na expansão industrial, cumprimento do enquadramento jurídico e continuidade da gestão municipal. |
| CDU | Recuperação do património, financiamento do Estado para os museus e valorização cultural do concelho. |
| Chega | Apoio extraordinário às corporações de bombeiros e reforço da proteção civil. |
A reunião mostrou uma oposição particularmente interventiva e um executivo empenhado em justificar as opções tomadas, antecipando que temas como urbanismo, reconstrução pós-tempestade e investimento continuarão a marcar o debate político municipal nos próximos meses.