O Município da Marinha Grande anunciou uma medida excecional para reforçar a vigilância nas suas praias na próxima época balnear. Devido aos danos causados pela depressão Kristin, que devastou infraestruturas balneares, a câmara decidiu contratar diretamente nadadores-salvadores. Segundo a autarquia, trata-se de um investimento superior a €200 mil para garantir segurança em zonas onde os concessionários não conseguem operar.
Danos da tempestade e decisão excecional
A tempestade “Kristin” provocou estragos severos na orla costeira de Marinha Grande, afetando estruturas de apoio às praias. A câmara justificou a intervenção dizendo ter constatado “a impossibilidade generalizada dos concessionários em garantir este serviço” de vigilância, devido aos danos elevados nas infraestruturas balneares. Ainda segundo a nota oficial, interditar totalmente os cerca de 18 km de costa seria inviável, pelo que foi “indispensável implementar um dispositivo alternativo, de forma a salvaguardar a vida humana e prevenir situações de risco”.
Dispositivo de vigilância balnear para 2026
O serviço extraordinário será prestado durante a época balnear de 2026, de 13 de junho a 13 de setembro, entre as 10h00 e as 20h00. O plano prevê 18 nadadores-salvadores certificados distribuídos pelas praias da Vieira, Praia Velha e São Pedro de Moel. Além dos recursos humanos, o dispositivo inclui meios de apoio: desfibrilhadores automáticos externos, viaturas de intervenção, estruturas logísticas e apoio médico em regime on-call. O presidente da câmara, Paulo Vicente, destacou que a medida é “temporal e subsidiária” e visa apenas garantir condições seguras para banhistas, não substituindo permanentemente as obrigações dos concessionários locais.
Legislação balnear e responsabilidades
Em Portugal, a lei estabelece que os concessionários das praias têm o dever de contratar nadadores-salvadores durante a época balnear. O recuo do município em assumir temporariamente essa tarefa é, por isso, considerado uma exceção motivada pelas circunstâncias extraordinárias. Por outro lado, a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores tem vindo a defender que o modelo de vigilância balnear seja repensado e estendido além dos meses oficiais de verão, reforçando a preocupação geral com a segurança dos banhistas.
Reações locais e próximos passos
A decisão municipal gerou debate entre agentes locais. Concessionários de praia históricos do concelho, que asseguravam a vigilância há décadas, manifestaram-se surpreendidos pela comunicação tardia da medida, já próximo do início da temporada. Eles argumentam que muitos já tinham contratado nadadores em antecipação e que o anúncio de apoio direto no último momento trouxe desafios de coordenação. A câmara, por seu turno, afirma que agiu com a prioridade de proteger vidas e que o dispositivo serve apenas como solução transitória. A exemplo de outros casos excepcionais, o êxito da medida dependerá da articulação entre autarquia e operadores locais para garantir igualdade de tratamento e segurança efetiva nos areais.