Passaram quatro meses desde a passagem da tempestade Kristin pela Marinha Grande. Um fenómeno climático extremo que deixou marcas profundas no concelho, afetando famílias, empresas, infraestruturas e espaços públicos, além de gerar preocupação e insegurança junto da população.
Na fase inicial, a prioridade foi responder à emergência. Bombeiros, Proteção Civil, autarquia, juntas de freguesia e muitos cidadãos estiveram no terreno para minimizar danos e devolver alguma normalidade ao concelho. Contudo, passados quatro meses, é legítimo exigir mais do que respostas imediatas. Este deve ser um momento de reflexão, aprendizagem e responsabilidade política.
A Kristin não foi apenas uma tempestade. Foi um alerta sério para as vulnerabilidades existentes no concelho e para a necessidade urgente de preparar a Marinha Grande para fenómenos extremos que tendem a tornar-se mais frequentes.
1. Problemas antigos que a Kristin veio expor
A Marinha Grande continua a ser um concelho com enorme capacidade económica, industrial e humana. A sua ligação à floresta, à indústria e ao espírito empreendedor constitui uma das maiores forças do concelho e da sua identidade.
No entanto, a tempestade veio demonstrar fragilidades há muito identificadas:
- insuficiente limpeza e manutenção de espaços florestais;
- limitações nas redes de drenagem urbana;
- infraestruturas envelhecidas;
- falta de intervenção preventiva em zonas de risco;
- vulnerabilidade costeira;
- ausência de estratégias consistentes de adaptação climática.
Durante demasiado tempo, muitos destes problemas foram sendo adiados ou tratados apenas de forma pontual. Hoje, torna-se evidente que o custo da prevenção é sempre menor do que o custo da reconstrução.
2. Uma resposta ainda insuficiente para muitas famílias
Quatro meses depois, continuam a existir cidadãos e empresários sem respostas concretas relativamente aos apoios disponíveis, nomeadamente no âmbito dos mecanismos associados ao PRR.
A demora na análise de processos, a falta de informação clara e o insuficiente acompanhamento das situações têm gerado frustração junto da população afetada.
No entendimento do CHEGA, existe uma diferença evidente entre os anúncios feitos e os apoios efetivamente disponibilizados. Essa incapacidade de execução representa um falhanço político e administrativo que prolonga dificuldades e atrasa soluções que muitas famílias continuam a aguardar.
Num momento de crise, as pessoas precisam de proximidade institucional, transparência e decisões rápidas.
3. Reforçar a Proteção Civil e preparar melhor o concelho
Uma das prioridades fundamentais deve passar pela criação de uma estrutura de Proteção Civil mais robusta, reforçada em meios técnicos, operacionais e humanos.
O CHEGA defende uma Proteção Civil de proximidade, com presença visível no território e capacidade de atuação permanente, não apenas em momentos de emergência, mas também numa lógica contínua de prevenção e preparação.
Da mesma forma, consideramos essencial que a população conheça melhor o Plano Municipal de Proteção Civil. Os munícipes devem saber:
- quais os procedimentos previstos em caso de emergência;
- onde se localizam os pontos de apoio;
- quais os meios disponíveis;
- e como devem atuar perante situações de risco.
A informação acessível e divulgada antecipadamente também é uma ferramenta de proteção.
4. Coordenação, supervisão e criação de um Gabinete de Crise
O CHEGA defende igualmente a criação de uma estrutura autárquica de acompanhamento e supervisão que integre todos os vereadores, com ou sem pelouros, promovendo maior coordenação e partilha de responsabilidades em cenários de crise.
Uma resposta eficaz exige articulação entre município, juntas de freguesia, Proteção Civil e administração central.
Defendemos ainda a criação e divulgação de um Gabinete de Crise municipal, identificado e reconhecido por toda a população.
Em momentos de emergência, os cidadãos devem saber exatamente:
- onde se dirigir;
- onde obter informação atualizada;
- quais os apoios disponíveis;
- e quais as orientações oficiais em vigor.
5. Recuperação operacional e limpeza do território
Continua igualmente a ser prioritário acelerar a remoção de resíduos, monos e materiais resultantes dos danos provocados pela tempestade.
O CHEGA considera que devem ser mobilizados todos os recursos necessários para garantir uma recolha mais rápida e eficaz, devolvendo normalidade aos espaços públicos e reforçando as condições de segurança e bem-estar da população.
Importa também avançar rapidamente com:
- limpeza de linhas de água;
- melhoria da drenagem urbana;
- monitorização do arvoredo;
- manutenção preventiva;
- reforço da segurança em zonas críticas.
6. Reorganizar o concelho com foco na qualidade de vida
O Kristin demonstrou igualmente a necessidade de repensar o território numa lógica de futuro.
A Marinha Grande enfrenta uma evidente falta de espaços de convivência e dinamização fora do período laboral. Nesse sentido, o CHEGA considera fundamental aproveitar oportunidades de requalificação para criar:
- zonas de lazer;
- espaços verdes;
- áreas de prática desportiva;
- espaços de convívio comunitário.
Uma cidade não deve limitar-se apenas ao trabalho e à circulação diária. Deve proporcionar qualidade de vida, bem-estar e segurança às famílias e trabalhadores.
7. Preparar o futuro e criar capacidade de resposta permanente
O Kristin deixou um ensinamento claro: os fenómenos extremos vieram para ficar.
Por isso, o CHEGA defende que o concelho seja dotado de um espaço preparado para acolher pessoas em situação de emergência, equipado com tecnologia autónoma e capacidade de funcionamento independente da rede elétrica e do abastecimento de água.
Da mesma forma, consideramos prioritário:
- modernizar as redes de drenagem;
- reforçar sistemas de monitorização e alerta;
- rever os planos municipais de emergência;
- melhorar a gestão sustentável do património arbóreo;
- captar fundos europeus destinados à resiliência climática;
- acelerar processos de apoio às populações afetadas.
8. Conclusão
A tempestade Kristin deixou danos profundos, mas também lições que não podem ser ignoradas.
Para o CHEGA, as prioridades imediatas para a Marinha Grande passam por reforçar a Proteção Civil, melhorar a preparação e informação da população, garantir maior coordenação institucional, acelerar os apoios às famílias afetadas e reorganizar o território com foco na qualidade de vida e na resiliência futura.
Mais do que reagir aos acontecimentos, importa preparar o futuro com responsabilidade, proximidade, capacidade de execução e compromisso com as pessoas.
Paulo Dias
Deputado Municipal
CHEGA – Marinha Grande
Contributo político para o Hexágono EDRO